sexta-feira, 19 de setembro de 2008

De Igual pra Igual


Como é bom falar de igual pra igual com alguém.


Depois de dois anos morando fora e convivendo com pessoas de vários lugares do Brasil e de outros países, já não me surpreendo quando me sinto em casa ao falar com um conterrâneo, ou pelo menos alguém da sua região. Saber que alguém é nordestino, natalense ou pernambucano faz com que tenhamos a impressão de já conhecer alguma coisa sobre ele. E de fato conhecemos.


Dividimos costumes, lugares, fatos, músicas, cheiros, toda uma cultura que com poucas palavras você consegue que o outro entenda e sinta exatamente a mesma coisa que você.


Para os natalenses, por exemplo, não preciso explicar quanto é bom tomar sorvete na Tropical ou comer tapioca com ginga na Redinha. Para os que não são de lá, tenho que primeiro explicar o que danado é tapioca com ginga!


Já os pernambucanos, me entendem quando falo da mesma tapioca, só que no Alto da Sé em Olinda...e por ai vai, cada lugar com as suas particularidades, ligando as pessoas que vivenciam isso.


Outro dia me senti da mesma forma quando no meio de uma reunião, na qual estavam presentes vários profissionais de diferentes áreas, só uma palavra e um olhar fez com que a outra arquiteta entendesse o que eu estava falando e me ajudasse defender a minha idéia. Nesse caso é o linguajar próprio que nos identifica e une. No caso das profissões somam-se os conceitos e as "verdades universais" que entre os seus, não precisam ser explicadas - estão subentendidas e não necessita mais discussão. Assim nos identificamos. Nós arquitetos sabemos que uma cama de casal nunca poderá estar encostada na parede, isso é fato, não se discute. Entretanto, para outro profissional talvez ainda caibam questionamentos sobre a possibilidade de encostá-la na parede. Como é bom ter essas verdades e essas certezas e com um simples "não dá!" está resolvido.


Sempre gostei de conhecer pessoas com outras profissões e saber como é o dia-a-dia delas. Mas hoje sei que ser igual a alguém nesse tocante, também me faz sentir muito bem. Assim como os fatos, lugares, músicas, cheiros e memórias unem a gente, nossa profissão também é mais um elo.


mais uma viagem da Isabela...

2 comentários:

Antônio Spíndola disse...

Ótimo post coiso, bem legal.
Xero

Unknown disse...

Comi na semana passada a tapioca de Olinda e agora vc não precisa mais explicar pra mim o que é isso!!!!!!! E faça-me o favor de escrever uma mensagem no seu blog explicando melhor esse negócio de não poder encostar a cama na parede, pois como não sou da área ainda não estou convencida... Adorei!!!!!!!!!!!!!