quinta-feira, 17 de junho de 2010

Acordar cedo?

Gente,
essa coragem toda do post anterior passou! Nossa senhora!
O frio chegou em Luanda e cada dia está mais difícil acordar cedo. Ainda mais agora que perdi minha companhia de corrida, que está temporariamente aposentado por causa de um problema de coluna.

Está complicado encotnrar disposição para ganhar mais horas no meu dia! Ultimamente só tenho rezado pra que ele passe logo e chegue a hora de dormir novamente.

"...eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante...." já dizia Raúl Seixas.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Que tal acordar cedo?

É isso mesmo! Acordar super cedo. 5:30 da manhã! Nas últimas 3 semanas tenho descoberto como é bom! Estou saindo para correr com os engenheiros aqui da obra que tem que estar no campo as 7:30, então tem que ser esse horário mesmo.

Mas estou adorando. Ganhei 2 horas no meu dia. Me sobra tempo para tomar café sossegada, assistir o Jornal da Globo (que aqui em Angola passa as 7 da manhã), tomar meu banho e chegar no escritório bem cedo e já disposta. A parta da preguiça matutina já ficou para traz.

Fica ai a dica para iniciar as viagens mais cedo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Meu relacionamento

Ao contrário do que vocês possam imaginar, não vou contar nada sobre meus amores passados, vida pessoal, atual namorado ou sobre minha vida íntima! Não hoje; talvez em outro momento ou em vários outros. O relacionamento a que me refiro é meu para com a “blogsfera”.

Conversando outro dia sobre blogs com uma companheira de república, ela disse que não tem a menor paciência para ler e que inclusive desconhece funciona a “logística” dos blogs. Então me peguei pensando em como adquiri esse hábito. Não me lembro ao certo, mas acho que foi através do blog do Bruno Medina, ex-baixista do Los Hermanos que escreve muito bem sobre musica e assuntos afins. No inicio eu entrava todos os dias, para ver se tinha um post novo. Depois descobri que ele tem dias certos para escrever, então passei a entrar nesses dias. E por ai começou.

Quando conheci meu namorado, ele me contou sobre seu blog. Expatriado em Angola como eu, devorei seu blog antes mesmo de a gente começar a namorar. Quando nos aproximamos mais, era como se eu já conhecesse algumas de suas características, elas estavam explicitas e implícitas em suas palavras.  Posts engraçados que relatam a difícil e divertida experiência de viver tão longe de casa.

Depois passei a seguir outros viajantes que se aventuravam por Luanda: diferentes pontos de vistas sobre a mesma realidade. Arquitetos como eu  que traziam consigo a vontade de vivenciar a sociedade e os costumes desse lugar da forma mais próxima da realidade dos angolanos.

Resolvi então lançar também as minhas viagens nesse mundo virtual. Não tinha idéia de como era difícil manter a constante atualização desse espaço. Era a minha vontade de me expressar, de escrever o que me passava pela cabeça, contra a rotina que te suga todas as energias. Abandonei o barco. Mas não tive coragem de excluí-lo. Antes eu queria salvar pelo menos os textos. Fui deixando....

Deixei de escrever mais me tornei cada vez mais ligada nesse mundo. Vieram os blogs de moda, começando pelo Amei de minha amiga Luanda de Recife. Através dela entrei nesse mundo da moda, descobri uma forma de me atualizar sobre os assuntos que estão em evidência além de Angola e do que a Globo Internacional mostra.

Hoje, descobri os blogs de trabalhos manuais, UAU! Tenho medo de dizer inclusive que me viciei. Em alguns inicio o “reconhecimento de território “ desde o primeiro post. Sabe quando você pega a história pela metade? Não entende um comentário ou uma das colocações de um dos personagens? Ah não! Paciência zero. Sou curiosa, como toda geminiana, por isso volto ao inicio do blog e acompanho toda a evolução dos assuntos e acontecimentos e fico super feliz quando consigo chegar aos dias atuais. Parece que nesse ponto você já é amiga intima do autor (a), desses amigos bem próximos que acompanha sua vida desde a infância.  Bom mesmo é quando você descobre o blog logo no comecinho, assim você vai acompanhando toda a história, passo a passo, tornando-se amiga em tempo real.

Agora escrevendo tudo isso, me veio à cabeça a seguinte pergunta: será que os blogs são um novo tipo de novela? Dessas que a gente acompanha todo dia? E ainda, uma novela com personagens reais? Porque essa é uma das características dos blogs, pelo menos daqueles que servem como diário da vida de quem os escreve.  Esse aqui é o meu! Ainda que sejam viagens de uma tal Isabela.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Depois de muito tempo...

...pretendo voltar! Tentarei escrever com mais frequência que até agora. Talvez sem tanto pensar, com viagens mas rápidas, momentâneas, quase instantâneas, eu diria. O que vale é a companhia virtual, o desabafo diário desse diário virtual.

Por enquanto só queria dizer que são três anos e meio de Angola, três anos e meio de muita saudade. Depois de muito tempo fora, são inúmeras as faltas que sinto; desde coisas simples, até das minhas mais especiais referências.

Pretendo estar bem perto delas dentro em breve. Enquanto isso não acontece pretendo continuar com meu relato diário.

beijos e até amanhã.


quinta-feira, 26 de março de 2009

AOS ARQUITETOS COM CARINHO...

Já faz muito tempo que não publico nada novo...o tempo está super curto.

Mas adorei esse texto e acho que aqui ele atingirá muito mais gente do que se enviado por e-mail.

MANUAL BÁSICO DE COMO UTILIZAR UM ARQUITETO

1- Arquiteto dorme. Pode parecer mentira, mas Arquiteto precisa dormir como qualquer outra pessoa. Não o acorde sem necessidade! Esqueça que ele tem telefone em casa, ligue para o escritório.

2- Arquiteto come. Inacreditável, não? Mas é verdade. Arquiteto também se alimenta, e tem hora para isso.

3- Arquiteto pode ter família. Essa é a mais incrível de todas:mesmo sendo Arquiteto a pessoa precisa descansar no final de semana e precisa de um tempo com a família e amigos, sem pensar ou falar sobre projetos.Pergunta: nas situações acima o Arquiteto atende? Resposta: Sim. Pode atender, desde que seja pago por isso. Desnecessário dizer que nesses casos o atendimento tem custo adicional. Por favor, não pechinche. Ah. E cara feia na hora de assinar cheque não diminui o que você tem que pagar. Se queria mais barato poderia ter procurado outro arquiteto. O combinado não écaro.

4- Arquiteto precisa de dinheiro. Por essa você não esperava, né? É surpreendente, mas Arquiteto também paga impostos, alimentação, combustível, vestuário, etc. E uma coisa bizarra: os livros, o escritório e as coisas que ele tem não chegam até ele gratuitamente. Impressionante, não? Entendeu agora o motivo dele cobrar uma consulta?

5- Ler, estudar é trabalho. E trabalho sério. Pode parar de rir. Não é piada.

6- Não é possível examinar projetos pelo telefone. Essa nem vou comentar.

7- De uma vez por todas, para reforçar: Arquiteto não é vidente. Ele precisa examinar o projeto e muitas vezes precisa reexaminá-lo. Se quer milagre, tente uma macumba e deixe o Arquiteto em paz.

8- Em reuniões de amigos ou festas de família, Arquiteto deixa deser Arquiteto, vira amigo ou parente. Não comece conversas sobre como ajeitar sua sala ou que cor combina com os móveis do seu quarto. Para isso ele precisa refletir, se concentrar, ou seja, precisa trabalhar. No caso doArquiteto, criar demanda mais do que a maior parte das pessoas acha.

9- Não existe apenas um desenho - desenho é projeto, projeto tem queser pensado, e por sua vez, cobrado. Diante desses tópicos inconcebíveis a uma boa parte da população, algumas dicas para tornar a vida do Arquitetomais suportável:

10- O uso do celular: celular é ferramenta de trabalho. Por favor, ligue apenas quando necessário. Fora do horário de expediente, mesmo que você ainda não tenha acreditado, o Arquiteto pode estar fazendo alguma daquelas coisas que você pensou que ele não fazia, como dormir ou namorar, por exemplo. Antes da consulta: Por favor, marque hora. Se não marcar, não fique andando de um lado para o outro na sala de espera e nem pressionando a secretária. Ela não tem culpa . Ah! E não espere que oArquiteto vá te colocar no horário de quem já marcou. Se tiver fila, você vai ficar por último. Na próxima vez ligue antes. Só venha sem marcar em caso de emergência (que seja realmente emergência), por favor.

11- Repetir a mesma pergunta mais de cinco vezes não vai mudar aresposta. Por favor, repita no máximo três. O Arquiteto não está sob investigação policial.

12- Quando se diz que o horário de atendimento é até meio dia, não significa que você pode chegar 11:55. Se chegar, volte depois do almoço. O mesmo vale na hora do fim do expediente.

13- Emergência? Claro que o Arquiteto atende, mas se estiver fora do horário normal, está fora do preço normal. Na hora da consulta: bastam alguns membros da família para acompanhar o cliente e responder às perguntas do Arquiteto. Por favor, deixe os amigos do cunhado e seus vizinhos com os respectivos filhos nas casas deles. Não fique bombardeando o Arquiteto com milhares de perguntas durante o atendimento. Isso tira aconcentração, além de torrar a paciência. Evite perguntas que não tenham relação com o projeto. Infelizmente, a cada consulta, o Arquiteto só poderá examinar um projeto. Lamentamos informar, mas seu outro projeto também terá que passar por consulta e você também terá que pagar por ele.

14- O Arquiteto não deixará de cobrar a consulta só porque você já gastou demais na obra. Não foram os Arquitetos que inventaram o ditado "Obarato sai caro"

domingo, 26 de outubro de 2008

Uma certa música para pensar!


Hoje fui a uma festa e como sempre rolou o estilo banquinho e violão tocando as músicas típicas de quem está com saudades de casa, do Brasil.
Mas como sempre, música brasileira e um monte de gente cantando é bom demais. Entre Renato Russo, Raul Seixas, Kid Abelha, Paralamas e outros, tocou uma música do Lulu Santos que sempre me gerou alguns questionamentos. Vou copiar o trecho da letra pra ver se vocês concordam comigo ou não.

(...)
E a gente vive junto
E a gente se dá bem
Não desejamos mal a quase ninguém
E a gente vai à luta
E conhece a dor
Consideramos justa
Toda forma de amor
(...)

A primeira frase em negrito é perfeita. Ainda que tentássemos não desejar mal a ninguém, sempre, pelo menos em algum momento, ainda que de raiva, você deseja mal a alguém. Não gosto de pensar assim, mas é fato! Sou adepta do pensamento de que o que desejamos aos outros, volta pra gente. Então desejemos o bem, para que retorne em dobro. Mas que tem horas que desejamos o mal, é verdade. Não sou de mentir.

Quanto a frase seguinte, me pergunto se é verdade. Será que no fundo no fundo aceitamos mesmo todas as formas de amor? Quando pensamos nas formas homossexuais de amar, a moda é aceitar, achar normal e não ter preconceito para com eles. Mas se essa realidade se aproxima da gente e acontece com um irmão, um primo ou um amigo chegado, será que estamos realmente prontos para aceitar? Se de uma hora pra outra você descobre que não é filho dos seus pais, será que você estará pronto para aceitar a forma de amor que eles tiveram contigo até hoje? Ou se um amigo não te liga, não te manda um e-mail ou notícias e mesmo assim diz que te ama e que se preocupa contigo, você aceita a forma dele de amar?

Deixo vocês com a viagem de hoje, cheia de questionamentos sobre a nossas posturas diante das circunstâncias do mundo que se apresenta todos os dias.

mais uma viagem da Isabela...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Letras, emails e identidade

Na minha página do Orkut a mensagem que aparece logo abaixo do meu nome é uma pergunta: "Você conhece a letra do seu namorado? E do seu melhor (a) amigo (a)? Aposto que não !! Mas o email dele você sabe!!"

Essa questão apareceu na minha cabeça quando eu ainda morava em Recife e percebi que das minhas atuais amigas, eu não conheço a letra. Talvez eu me lembre da assinatura de algumas delas que vi na hora de assinar o cheque ou o comprovante do cartão de crédito na mesa do bar ou na loja de roupas. Pode parecer loucura (ou mais uma viagem da Isabela), mas acompanhem meu raciocínio, ou viagem.

Na época do colégio tínhamos muitos amigos, os da turma, os da natação, do inglês, os da rua, da sala ao lado e por ai vai. Mas para mim uma das coisas que diferenciava os mais chegados e especiais era o fato de eu conhecer a letra de cada um deles. Era como se isso transmite a identidade deles sem que eu precisasse ler o nome. Os bilhetinhos no 2ºgrau rolavam soltos, verdadeiros diálogos em plena classe...e ninguém precisava assinar dizendo de quem era aquela fala. Pela letra os diálogos se formavam e eram entendidos.

Hoje a mesma coisa seria impossível. Não conheço a letra de nenhum dos meus mais recentes amigos, ainda que o tempo não seja responsável pela importância de cada um deles. Mas o email da maioria deles ou eu sei de cor ou tenho gravado nos meus contatos. O mesmo acontece com o endereço, ninguém mais escreve carta, então para que ter o endereço? No máximo você sabe como chegar na casa da pessoa.

Essas questões não são novidades e estão na mídia o tempo todo. Mas atualmente dois acontecimentos me fizeram voltar a pensar.

Mudei-me para Angola há dois anos e trouxe comigo um celular abarrotado de números telefônicos e o MSN lotado de contatos, todos misturados sem nenhuma identificação de onde eram ou de que época eles participaram do meu dia-a-dia, virtual ou não.

Passou o tempo e vendi esse celular, resultado: perdi todos os números dos meus amigos no Brasil. Toda vez que chego à Natal tenho que começar uma busca através da agenda velha da minha mãe que guarda o telefone da casa de algumas das minhas amigas. Telefone fixo é mais difícil de mudar, mas e celular? Todo mundo troca de celular o tempo todo, piorando a minha situação para com aqueles de quem eu só tinha o número do móvel (como se fala aqui em Angola). Tento ir à casa de alguém que eu não vejo faz tempo e descubro que a pessoa não mora mais lá...e agora? Será que só me resta esperar que o acaso nos encontre outra vez?

Esse mesmo acaso ajuda quando você ainda freqüenta os mesmos lugares, mora ou passa na mesma cidade que alguém. Do contrário o que fará você encontrar com essa pessoa novamente? Esse é o segundo fato que desencadeou toda essa reflexão, ou viagem.

Lembram-se do meu amigo Juan? O autor da Isabela? Pois bem, estudamos juntos em Madri (2001-2002) e depois cada um seguiu seu rumo, eu de volta ao Brasil e depois pra Angola, ele para Portugal e depois de volta aos EUA. Mas sempre nos encontrávamos no MSN e assim compartíamos a vida cotidiana. Mas de um tempo pra cá, nunca mais vi o Juan online. Que estranho, pensei! Será que ele me bloqueou? Entrei num desses sites que prometem mostrar quem te bloqueou ou excluiu e nada! Fui levada a questionar se algo de mal teria acontecido com ele... e se tivesse? Como eu ia ficar sabendo? Temos poucos amigos em comum daquela época, perguntei a algum deles e ninguém tinha notícias... talvez eu realmente não ficasse sabendo. Até que um dia acessei o álbum virtual dele e comecei “freqüentar” sempre, à espera de uma nova foto, um bom sinal de vida. Até que um dia, pra minha alegria, isso aconteceu. Fiquei aliviada e deixei um recado, tentando restabelecer contato. Não tive resposta durante algum tempo. Até que ontem recebi um email dele, dizendo que as senhas dos emails anteriores haviam sido roubadas e assim ele tinha perdido todos os contatos dele.

Teria o Juan perdido sua atual identidade, se hoje substituímos as letras identificadoras por endereços de email?

E se isso acontecer comigo ou com você um dia? De quem você tem outro contato que não seja o email ou o nº do celular? Se te roubam o celular, a impressão é a mesma, mais ainda recorremos ao email para solicitar que nos enviem novamente os números. E se nesse momento você não tiver mais o email?

Endereços, notícias, letras, bem querer, cuidado, interesse, zelo, talvez não meçam o tamanho da amizade, mas com certeza fazem com que ela tenha uma garantia mais concreta.

mais uma viagem da Isabela....