domingo, 26 de outubro de 2008

Uma certa música para pensar!


Hoje fui a uma festa e como sempre rolou o estilo banquinho e violão tocando as músicas típicas de quem está com saudades de casa, do Brasil.
Mas como sempre, música brasileira e um monte de gente cantando é bom demais. Entre Renato Russo, Raul Seixas, Kid Abelha, Paralamas e outros, tocou uma música do Lulu Santos que sempre me gerou alguns questionamentos. Vou copiar o trecho da letra pra ver se vocês concordam comigo ou não.

(...)
E a gente vive junto
E a gente se dá bem
Não desejamos mal a quase ninguém
E a gente vai à luta
E conhece a dor
Consideramos justa
Toda forma de amor
(...)

A primeira frase em negrito é perfeita. Ainda que tentássemos não desejar mal a ninguém, sempre, pelo menos em algum momento, ainda que de raiva, você deseja mal a alguém. Não gosto de pensar assim, mas é fato! Sou adepta do pensamento de que o que desejamos aos outros, volta pra gente. Então desejemos o bem, para que retorne em dobro. Mas que tem horas que desejamos o mal, é verdade. Não sou de mentir.

Quanto a frase seguinte, me pergunto se é verdade. Será que no fundo no fundo aceitamos mesmo todas as formas de amor? Quando pensamos nas formas homossexuais de amar, a moda é aceitar, achar normal e não ter preconceito para com eles. Mas se essa realidade se aproxima da gente e acontece com um irmão, um primo ou um amigo chegado, será que estamos realmente prontos para aceitar? Se de uma hora pra outra você descobre que não é filho dos seus pais, será que você estará pronto para aceitar a forma de amor que eles tiveram contigo até hoje? Ou se um amigo não te liga, não te manda um e-mail ou notícias e mesmo assim diz que te ama e que se preocupa contigo, você aceita a forma dele de amar?

Deixo vocês com a viagem de hoje, cheia de questionamentos sobre a nossas posturas diante das circunstâncias do mundo que se apresenta todos os dias.

mais uma viagem da Isabela...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Letras, emails e identidade

Na minha página do Orkut a mensagem que aparece logo abaixo do meu nome é uma pergunta: "Você conhece a letra do seu namorado? E do seu melhor (a) amigo (a)? Aposto que não !! Mas o email dele você sabe!!"

Essa questão apareceu na minha cabeça quando eu ainda morava em Recife e percebi que das minhas atuais amigas, eu não conheço a letra. Talvez eu me lembre da assinatura de algumas delas que vi na hora de assinar o cheque ou o comprovante do cartão de crédito na mesa do bar ou na loja de roupas. Pode parecer loucura (ou mais uma viagem da Isabela), mas acompanhem meu raciocínio, ou viagem.

Na época do colégio tínhamos muitos amigos, os da turma, os da natação, do inglês, os da rua, da sala ao lado e por ai vai. Mas para mim uma das coisas que diferenciava os mais chegados e especiais era o fato de eu conhecer a letra de cada um deles. Era como se isso transmite a identidade deles sem que eu precisasse ler o nome. Os bilhetinhos no 2ºgrau rolavam soltos, verdadeiros diálogos em plena classe...e ninguém precisava assinar dizendo de quem era aquela fala. Pela letra os diálogos se formavam e eram entendidos.

Hoje a mesma coisa seria impossível. Não conheço a letra de nenhum dos meus mais recentes amigos, ainda que o tempo não seja responsável pela importância de cada um deles. Mas o email da maioria deles ou eu sei de cor ou tenho gravado nos meus contatos. O mesmo acontece com o endereço, ninguém mais escreve carta, então para que ter o endereço? No máximo você sabe como chegar na casa da pessoa.

Essas questões não são novidades e estão na mídia o tempo todo. Mas atualmente dois acontecimentos me fizeram voltar a pensar.

Mudei-me para Angola há dois anos e trouxe comigo um celular abarrotado de números telefônicos e o MSN lotado de contatos, todos misturados sem nenhuma identificação de onde eram ou de que época eles participaram do meu dia-a-dia, virtual ou não.

Passou o tempo e vendi esse celular, resultado: perdi todos os números dos meus amigos no Brasil. Toda vez que chego à Natal tenho que começar uma busca através da agenda velha da minha mãe que guarda o telefone da casa de algumas das minhas amigas. Telefone fixo é mais difícil de mudar, mas e celular? Todo mundo troca de celular o tempo todo, piorando a minha situação para com aqueles de quem eu só tinha o número do móvel (como se fala aqui em Angola). Tento ir à casa de alguém que eu não vejo faz tempo e descubro que a pessoa não mora mais lá...e agora? Será que só me resta esperar que o acaso nos encontre outra vez?

Esse mesmo acaso ajuda quando você ainda freqüenta os mesmos lugares, mora ou passa na mesma cidade que alguém. Do contrário o que fará você encontrar com essa pessoa novamente? Esse é o segundo fato que desencadeou toda essa reflexão, ou viagem.

Lembram-se do meu amigo Juan? O autor da Isabela? Pois bem, estudamos juntos em Madri (2001-2002) e depois cada um seguiu seu rumo, eu de volta ao Brasil e depois pra Angola, ele para Portugal e depois de volta aos EUA. Mas sempre nos encontrávamos no MSN e assim compartíamos a vida cotidiana. Mas de um tempo pra cá, nunca mais vi o Juan online. Que estranho, pensei! Será que ele me bloqueou? Entrei num desses sites que prometem mostrar quem te bloqueou ou excluiu e nada! Fui levada a questionar se algo de mal teria acontecido com ele... e se tivesse? Como eu ia ficar sabendo? Temos poucos amigos em comum daquela época, perguntei a algum deles e ninguém tinha notícias... talvez eu realmente não ficasse sabendo. Até que um dia acessei o álbum virtual dele e comecei “freqüentar” sempre, à espera de uma nova foto, um bom sinal de vida. Até que um dia, pra minha alegria, isso aconteceu. Fiquei aliviada e deixei um recado, tentando restabelecer contato. Não tive resposta durante algum tempo. Até que ontem recebi um email dele, dizendo que as senhas dos emails anteriores haviam sido roubadas e assim ele tinha perdido todos os contatos dele.

Teria o Juan perdido sua atual identidade, se hoje substituímos as letras identificadoras por endereços de email?

E se isso acontecer comigo ou com você um dia? De quem você tem outro contato que não seja o email ou o nº do celular? Se te roubam o celular, a impressão é a mesma, mais ainda recorremos ao email para solicitar que nos enviem novamente os números. E se nesse momento você não tiver mais o email?

Endereços, notícias, letras, bem querer, cuidado, interesse, zelo, talvez não meçam o tamanho da amizade, mas com certeza fazem com que ela tenha uma garantia mais concreta.

mais uma viagem da Isabela....

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Medo do Chinês


Era sábado. Mais um dia normal de trabalho em Angola. Fui à obra acompanhar a vistoria de mais uma casa juntamente com o cliente. A visita correu normalmente, nada fora do normal, os problemas de sempre.

Ao sair, encontrei com o Mário, motorista de um engenheiros da empresa e lhe pedi uma boleia (carona) de volta até o escritório. No caminho, pelas ruas de Luanda Sul, área nova da cidade, cruzamos com caminhões carregados de areia, burgal (brita), cimento e concreto que imprimem alta velocidade como se fossem os donos das vias. E realmente são, pois diante do peso e da rapidez com que conduzem, todos saem da frente. São demonstrativos da alta velocidade do desenvolvimento do país e da construção civil que modifica diáriamente a paisagem.

E para enfrentar esse ritmo desenfreado da construção, muitas são as nacionalidades dos profissionais trabalhando em Angola: brasileiros (aos montes), portugueses herdeiros da época da colonização, espanhóis em menos quantidade e chineses,esses aos milhares, trabalhando como formigas, todos os dias...de dia e de noite.

É interessante ver essa mistura de cultura e costumes acontecendo em tempo real, aqui, na nossa frente. Nas obras, chineses, angolanos e brasileiros interagem sem ao menos falar a mesma lingua. Mas todos se entendem e o trabalho vai rendendo.

E assim iamos nós, voltando para o escritório...de repente a nossa frente aparece um trator, daqueles enormes, aparentemente novo mas com a tampa do motor balançando. Me dirigo ao motorista e digo:

-Mário, olha a tampa do motor desse trator como balança! Melhor sairmos detrás dele, antes que esse negócio caia.

E ele me responde:

-Dona Lígia, tenho mais medo é do chinês que está dirigindo o trator.

-Medo? Por que medo, Mário?

-A senhora acha que eles está nos vendo aqui? Com esses olhos apertadinhos, tenho certeza que só vêem metade das coisas!

Me surpreendi com a afirmação dele e tive cuidado para não rir,ainda que essa fosse a minha vontade naquela hora. Ele então me explicou que esse é um dos motivos de piada entre os angolanos e os chineses. Eu lhe recomendei, em tom de brincadeira, que perguntasse a um amigo engenheiro, de decêndencia chinesa, se era assim que ele via. Pois nós, com olhos ditos "normais" nunca saberemos como eles enxergam o mundo.

Toda essa história, me fez lembrar que quando eu era criança achava que quem tinha o olho azul, via tudo azul; quem tinha o olho verde, via tudo verde e assim por diante! Esquecendo a ciência e considerando apenas o lado lúdico da imaginação infantil, quem pode provar que isso não é verdade? Afinal de contas, se você tem o olho castanho como eu, nunca saberá como é ter um olho azul. A não ser que compre lentes de contato. Mas não será a mesma coisa...Essas é apenas uma das viagens que passavam pela minhas cabeça de criança e que de vez em quando voltam à tona. Quais as suas viagens infantis ?
mais uma viagem da Isabela...

domingo, 28 de setembro de 2008

Jantar caseiro



Entrada: salada com folhas diversas (importadas da África do Sul, que nem precisa lavar), kani, ricota temperada (também da África do Sul) e molho.

Prato principal: massa em forma de chapéu ao molho branco e peito de frango grelhado.

Bebida: champangne e vinho branco.

Parece coisa de restaurante, né? Nada! jantar em casa. Com direito a trilha sonora escolhida por mim e mesa reservada para apenas duas pessoas.

Essa viagem da Isabela foi real e deliciosa!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

eita saudade...

Hoje cheguei no escritório, comecei a trabalhar e liguei o som do meu computador, como faço diariamente.

Hoje resolvi não escolher o que escutar e deixar que o Media Player o fizesse...e caiu justamente no forró de Flávio José! Nem lembrava que eu tinha essas músicas no meu hd e nem me lembro como elas vieram parar aqui.

Só sei que deixei tocar todas as músicas, e deu uma sauuuuuuuuuudade de casa! E olha que eu nem gosto muito de forró....mas como eu comentei no post anterior, tem coisas que nos ligam às nossas raizes, à nossa terra...e não teve jeito, bateu a saudade de tudo e de todos.

Queria uma tapioca, água de côco em Ponta Negra, cuzcuz da Dona Telma, praia, liberdade, tudo que tenho em casa. Fogo!

Fica aqui a minha dica para que os que estão em casa, aproveitem o fim de semana com as coisas que nos enche a alma.

Mais uma viagem da Isabela....

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

De Igual pra Igual


Como é bom falar de igual pra igual com alguém.


Depois de dois anos morando fora e convivendo com pessoas de vários lugares do Brasil e de outros países, já não me surpreendo quando me sinto em casa ao falar com um conterrâneo, ou pelo menos alguém da sua região. Saber que alguém é nordestino, natalense ou pernambucano faz com que tenhamos a impressão de já conhecer alguma coisa sobre ele. E de fato conhecemos.


Dividimos costumes, lugares, fatos, músicas, cheiros, toda uma cultura que com poucas palavras você consegue que o outro entenda e sinta exatamente a mesma coisa que você.


Para os natalenses, por exemplo, não preciso explicar quanto é bom tomar sorvete na Tropical ou comer tapioca com ginga na Redinha. Para os que não são de lá, tenho que primeiro explicar o que danado é tapioca com ginga!


Já os pernambucanos, me entendem quando falo da mesma tapioca, só que no Alto da Sé em Olinda...e por ai vai, cada lugar com as suas particularidades, ligando as pessoas que vivenciam isso.


Outro dia me senti da mesma forma quando no meio de uma reunião, na qual estavam presentes vários profissionais de diferentes áreas, só uma palavra e um olhar fez com que a outra arquiteta entendesse o que eu estava falando e me ajudasse defender a minha idéia. Nesse caso é o linguajar próprio que nos identifica e une. No caso das profissões somam-se os conceitos e as "verdades universais" que entre os seus, não precisam ser explicadas - estão subentendidas e não necessita mais discussão. Assim nos identificamos. Nós arquitetos sabemos que uma cama de casal nunca poderá estar encostada na parede, isso é fato, não se discute. Entretanto, para outro profissional talvez ainda caibam questionamentos sobre a possibilidade de encostá-la na parede. Como é bom ter essas verdades e essas certezas e com um simples "não dá!" está resolvido.


Sempre gostei de conhecer pessoas com outras profissões e saber como é o dia-a-dia delas. Mas hoje sei que ser igual a alguém nesse tocante, também me faz sentir muito bem. Assim como os fatos, lugares, músicas, cheiros e memórias unem a gente, nossa profissão também é mais um elo.


mais uma viagem da Isabela...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Apresentando a cara da Isabela


Os meus contatos do MSN já me conhecem como Isabela. Agora me apresento aos novos amigos do Blog.

Essa é a minha cara, quando não quero ser eu mesma. Às vezes cansa ser sempre a mesma pessoa. Será que só eu passo por isso? Aconselho todo mundo a tentar mudar de identidade, por pelo menos um dia.

A foto é de um amigo meu, Juan. Americano de pais mexicanos, estudou comigo na Espanha, é arquiteto e artista plástico. Esse foi o convite para uma de suas exposições em Portugal. Quem quiser ver as fotos dele é só acessar o endereço: http://www.flickr.com/photos/txangoblanco

Não sei porque, mas me apeguei muito a essa foto e como o nome dela é Isabela, resolvi que essa seria eu. Assim me disfarço virtualmente.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Chegada ao Rio




SAMBA DO AVIÃO
Tom Jobim
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, teu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de um minuto estaremos no Galeão

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós pousar

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro


Para os que estão morando em Angola, essa música traduz os minutos finais de uma viagem de 07 horas que nos traz de volta ao nosso Brasil. A emoção é tanta que nem me importo de bater palma assim que o avião aterrisa, (costume angolano).

Do Rio ainda tenho mais 4 horas de vôo até Natal. Mas isso não importa! Já me sinto em casa. Coisa boa é voltar.